quinta-feira, 18 de julho de 2013

Os jovens leem sim.

                Durante algum tempo, compartilhei de certa forma, a opinião de alguns colegas no que tange a aptidão leitora dos nossos jovens. Muitos ainda hoje mantêm sua opinião afirmando que os jovens não gostam de ler. Apesar de em dados momentos ter concordado sentia-me incomodada com tal afirmação. Resolvi então observar se ela era verdadeira. Não demorou muito para que eu percebesse que eu estava errada. Nossos jovens leem sim. Talvez não os mesmos livros que eu, mas com certeza leem. O fato de um jovem não optar por uma obra cânone da literatura universal da literatura não o deprecia enquanto leitor, pelo menos em minha opinião. Lembro que em uma aula de literatura enquanto analisava com os alunos o conto “Centauro”, de José Saramago; um aluno todo encolhido em uma carteira, no fundo sala, se deliciava lendo o livro ''O doce veneno do escorpião'', cuja autora é Raquel Pacheco, Bruna Surfistinha. Rapidamente pensei o que devo fazer? Em um ímpeto fiz sinal de silêncio para turma e através de gestos pedi que todos ficassem quietos, dessa forma pude pensar o que fazer. Contamos exatamente dez minutos até que ele percebesse que estava sendo observado pela turma. Perguntei a ele o que havia de tão importante para ele no livro, a ponto de não prestar atenção na análise que estávamos fazendo. Ele respondeu: Sexo, professora! Era tudo o que eu queria ouvir. A partir daí fiz o seguinte questionamento: Você já leu o texto do Saramago? Ele disse que sim. Pedi a ele então que fizesse uma comparação da questão sexual que envolvia os personagens do conto Centauro e a que envolvia os personagens do livro O doce veneno do escorpião. Pois bem, deixando os detalhes de lado afirmo a vocês que foi uma excelente aula. Inclusive com a participação do aluno que a princípio não estava participando. Claro que professores conservadores, provavelmente, abominariam minha atitude; um inclusive disse: Ah! Jandiassy se fosse comigo eu rasgava todinho o livro e ainda o colocava para fora da sala. Retruquei a opinião dele, pois, se assim o fizesse além do prejuízo de ter que ressarcir o aluno pela perda do livro, perderia a oportunidade de mostrar-lhe que apesar de serem textos diferentes, o que eu estava analisando e o que ele estava lendo, cada um dentro do seu contexto tem respectivo valor que lhe é atribuído pelo leitor e que também o texto do Saramago é interessante. Se não o fizesse aí sim o prejuízo seria maior tanto para mim quanto para o aluno. Pois bem, creio que é importante mostrar o verdadeiro valor da literatura para nossos jovens, mas não podemos desprezar seu gosto literário; cabe a nós educadores procurar conciliar diferentes gostos para que possamos desfrutar com clareza e prazer de tudo que o texto literário tem a nos oferecer. Temos que começar de alguma forma e se essa forma for submeter-me a ler àquilo que meus alunos leem para tentar entender seu gosto e o porquê de suas escolhas, vamos lá!Estou pronta, pois somente poderei argumentar com conhecimento de causa. Lembro que muitos livros os quais li tinham relação com o momento que estava vivenciando. Acredito que a identificação literária de nossos alunos aconteça da mesma forma.


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